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O AMOR E A INTELIGÊNCIA

O Amor e a Inteligência

 

Adonis Lisboa

 

 

Falar sobre um tema como Amor, tão polêmico e suscitador das mais belas reflexões desde os primórdios da humanidade, não é tarefa fácil. Contudo, não ser fácil não quer dizer desagradável, pois este texto escrevo com prazer e espontaneidade.

Faço aqui uma analogia entre o Amor e a Inteligência. Sendo que entendo a última na perspectiva de Jean Piaget, ou seja, a capacidade de resolver problemas ou capacidade de adaptação. Para mim, a inteligência é circunstancial, isto é, contextualiza-se às situações, na busca de constante adaptação do sujeito. Portanto, não acredito que exista um número determinado de inteligências, conforme defende Gardner e sim, uma estrutura única que adapta-se às diversas circunstâncias.

Esta discussão não é mera “briga” teórica. Sua aplicação prática, em minha opinião, tem grande implicação social, pois a partir desta visão da inteligência, não podemos mais dizer que apenas algumas pessoas ou determinado grupo delas é inteligente. Somos forçados a admitir que todas as pessoas são inteligentes, já que resolvem problemas diária e constantemente. Indo ainda mais longe, adaptar-se em nosso mundo é uma questão de sobrevivência, logo, todos os seres vivos são inteligentes, pois estar vivo é estar adaptado.

Exposta minha visão sobre a inteligência, voltemos ao foco principal deste texto que é o Amor. O grande psicanalista Angelo Gaiarsa defende que existem vários amores; o amor intelectual, o amor paterno, o amor sexual, etc. Esta visão de Gaiarsa é uma forma diferente de ver o amor, que de certa maneira explica muitas dificuldades de relacionamento. Nesta perspectiva do amor, é realmente muito difícil imaginar como todos estes tipos de amor poderiam estar contemplados em única pessoa. Disto pode resultar uma consciência que diminua os conflitos de relacionamento, pois, ao compreender a dificuldade de agrupamento destes vários amores, as pessoas passariam a agir com mais tolerância, logo, relacionariam-se melhor. O conceito de Amor de Gaiarsa aproxima-se do conceito de Inteligência de Gardner.

Durante bastante tempo defendi esta idéia deste psicanalista reichiano, no entanto, a partir de reflexões calcadas no conceito de inteligência que defendo, ou seja, que a inteligência é circunstancial, passei a ver o amor de modo diferente. Análogo à Inteligência, entendo o Amor como sendo uno, porém, multifacetado. Conforme o contexto, o Amor assume formas diferentes. Em outras palavras, o Amor é único, porém adapta-se às diferentes circunstâncias. Numa relação entre mãe e filha, o amor assume uma condição maternal; numa relação entre dois amantes, o amor assume outra perspectiva.

Pode parecer uma visão muito tecnicista de algo tão subjetivo, porém, é apenas uma tentativa de compreender de outra forma, esta capacidade humana, que é amar.



Escrito por Adonis Lisboa às 11h43
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